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Edema de Reinke

EDEMA DE REINKE

        O nome parece estranho, mas com certeza você já cruzou com alguém portador deste problema em seu convívio diário, mesmo sem dar-se conta.

        O Edema de Reinke é uma doença da laringe na qual as pregas vocais (cordas vocais) tornam-se progressivamente edematosas (inchadas), fazendo com que a voz fique rouca e de tonalidade grave. Este edema ocorre pelo acúmulo de líquido no espaço de Reinke, região situada logo abaixo do epitélio de cobertura das pregas vocais. O nome desta região anatômica é uma homenagem ao anatomista Friedrich Reinke, que a descreveu.

            À medida que o líquido se acumula, este espaço se alarga, fazendo com que a prega vocal aumente sua espessura e se projete para o interior da laringe.

            Embora possa haver outras causas, tais como doenças da tireóide, refluxo gastro-esofágico e mau uso da voz, de longe, a causa mais freqüente desta enfermidade, é o tabagismo.

            Além de ser mais freqüente em mulheres fumantes, na faixa etária dos 40 – 50 anos, é nelas que o sintoma se faz notar com mais facilidade, visto que a voz da mulher é caracteristicamente mais aguda.

            No princípio, a voz fica levemente rouca, aveludada e até sensual, fazendo com que as pacientes não tenham maiores preocupações com ela.

            Com o tempo, a irritação intensa e persistente provocada pelo hábito de fumar, faz com que a rouquidão aumente, a ponto de ser confundida com voz masculina ao telefone e em outras situações. Isto, evidentemente é desagradável, mexendo inclusive com a auto-estima feminina.

            Nos casos mais graves, existe a possibilidade do edema fechar a laringe, podendo causar obstrução respiratória, necessitando inclusive intervenções cirúrgicas de urgência.

            O grande fator de risco para desenvolver a doença, sem dúvida é o hábito de fumar. Estudos ainda tentam descobrir o porquê da maior incidência no sexo feminino. Alguns autores apontam fatores hormonais como sendo os responsáveis por esta predisposição.

            O edema de Reinke não é uma lesão maligna e não existe comprovação de que tenha potencial para transformar-se em câncer de laringe.

            O fato de ser relacionado ao câncer, em alguns trabalhos científicos, deve-se a que ele ocorre na maioria das vezes em fumantes, e o fumo, este sim, é um dos principais fatores etiológicos dos tumores desta região.

            Por este motivo, deve ser interpretado como um sinal de alerta e devidamente investigado.

            De um modo geral, os sintomas da doença iniciam com discreta rouquidão que evolui, com o passar dos anos, para uma voz grossa e masculinizada. Pode aparecer  falhas na voz, pigarro, sensação de que há algo parado na garganta, dificuldade para falar alto ou por períodos longos, e até mesmo perda temporária  da voz, após gritar ou falar com intensidade alta em eventos esportivos ou sociais.

            O diagnóstico é feito pelo otorrinolaringologista, analisando os sintomas relatados pelo paciente e correlacionando com os achados da videolaringoscopia, que são bastante característicos (veja Fig. 1 e 2). Este exame é realizado no próprio consultório, sem necessidade de sedação ou anestesia.
 

            O tratamento vai depender da fase em que se encontra a doença, no momento do diagnóstico.

            A primeira medida a ser tomada, sempre que possível, é identificar e remover a causa do problema, seja ela refluxo gastro-esofágico, hipotireoidismo, abuso vocal persistente ou, a mais freqüente, o tabagismo.

            Nas fases iniciais, quando o edema é pequeno, pode-se tentar o tratamento conservador, com o abandono do fumo e terapia fonoaudiológica  através de exercícios que estimulam a absorção do líquido pelo organismo, com boas chances de melhora.

            Nos estágios mais avançados, o tratamento é cirúrgico, através de micro cirurgia de laringe, sob anestesia geral. Normalmente não é necessária a internação hospitalar, permanecendo o paciente na sala de recuperação até ter condições de alta, retornando a sua residência no mesmo dia.

             Existem várias técnicas para realizar esta cirurgia, sendo que atualmente todas visam remover o edema com preservação da cobertura mucosa da prega vocal, visando manter a qualidade da voz, o mais próximo possível da normalidade.

            O procedimento é realizado com microscópio cirúrgico e com instrumental próprio para micro cirurgia de laringe. Inicia-se com uma incisão na porção anterior da prega vocal, expondo-se o conteúdo do edema. Em casos mais recentes, este conteúdo é de um líquido espesso que pode ser aspirado, nos casos mais antigos, ele torna-se viscoso, havendo a necessidade de ser removido com pinça.

            Em seguida, é retirado o excesso de mucosa, reposicionando a que sobrou cuidadosamente sobre a prega vocal, onde ela vai aderir espontaneamente.

            Após um período de recuperação adequado, recomenda-se tratamento fonoaudiológico para reeducação vocal.

            Em pacientes fumantes, o fato de voltar a fumar após a cirurgia, tem grandes possibilidades de provocar a recidiva do problema. Portanto, para um melhor resultado, é imprescindível, abandonar o hábito do fumo.

            Pelo exposto, fica claro que a melhor prevenção é a de adotar hábitos saudáveis, evitando o fumo, abusos vocais persistentes e consultar o médico sempre que notar rouquidão por períodos prolongados. A precocidade do diagnóstico melhora muito a perspectiva de cura e diminui a possibilidade de alterações vocais permanentes, mesmo após o tratamento adequado.

 
            Luiz Carlos Alves de Oliveira
            Otorrinolaringologista
            CRM 10.202/RS