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Doença Carotídea e AVE
As artérias carótidas são os vasos responsáveis pelo suprimento sangüíneo cerebral, e, quando acometidas por algum tipo de obstrução, como uma placa aterosclerótica (“placa de gordura”), podem determinar manifestações de isquemia cerebral, seja pela liberação de coágulos (embolia), seja pela obstrução parcial ou completa (trombose).
 
Nos últimos anos, o Acidente Vascular Encefálico (AVE) vem sendo uma prioridade em saúde pública, pela sua alta mortalidade (20 a 35%) e pelo seu alto potencial de incapacitação para a vida produtiva.
 
Nos EUA (onde esta patologia é a terceira causa de morte e a primeira causa de invalidez), estima-se que ocorram 700.000 novos casos de AVEs por ano. Destes, cerca de 2/3 são causados por doença estenótica/oclusiva das artérias carótidas (predominância da arteriosclerose).
 
As manifestações de isquemia cerebral podem ser transitórias (reversíveis) ou definitivas (irreversíveis). Para uma melhor identificação dos pacientes que normalmente se beneficiarão da cirurgia de carótida, devemos dividi-los de acordo com sua classe clínica:

  1. Pacientes assintomáticos: Aqueles que não apresentam sintomas de isquemia, porém têm identificada estenose/obstrução por placas de ateroma ao nível da (s) da (s) carótida (s) pela presença de sopro ou por achado ecográfico. Constituem o grupo em que a indicação de cirurgia é mais difícil, e deve ser bem precisa.
  2. Ataques isquêmicos transitórios (AIT): As manifestações transitórias de isquemia cerebral podem ser perda temporária da visão, tonturas ou perda de sensibilidade/força muscular no lado oposto ao da carótida comprometida. Os AITs devem ser entendidos como uma “ameaça de isquemia/derrame”, e constituem o grupo mais beneficiado com o tratamento cirúrgico.
  3. Acidente vascular encefálico (AVE): Pacientes que têm uma isquemia cerebral estabelecida, mas apresentam recuperação parcial e são portadores de placa aterosclerótica na carótida correspondente, também são bons candidatos à cirurgia, embora os riscos sejam ligeiramente maiores. Na verdade, o risco de recorrência de AVE (nova isquemia cerebral) neste grupo chega a 20%, o que pode ser evitado com cirurgia.
 
Para identificar os diferentes graus e tipos de estenoses e placas de ateromas que podem levar a pessoa a ter indicação de acompanhamento e/ou de tratamento da lesão carotídea temos um exame disponível e importante chamado de eco doppler vascular, o qual demonstra com precisão o grau de estenose (estreitamento) que a placa de ateroma determina. Quando a cirurgia for considerada, às vezes há necessidade de lançarmos mão de um exame de imagem mais objetivo, como a arteriografia cerebral (cateterismo) ou a ressonância magnética nuclear.
 
Atualmente, através de grandes e recentes estudos (NASCET, ACAS e ECST), temos indicações precisas de tratamento (acompanhamento clinico e tratamento cirúrgico) para cada classe clínica descrita acima:

  1. Pacientes assintomáticos: Quando a placa de ateroma determina uma estenose igual ou superior a 60%, e a experiência do grupo cirúrgico garantir uma incidência de AVE peri-operatório inferior a 3%, a cirurgia está justificada (de acordo com resultados do estudo ACAS).
  2. Pacientes sintomáticos (AIT OU AVE): Existe consenso mundial na indicação em pacientes com sintomas, o qual foi estabelecido nos últimos cinco anos com base em dois grandes estudos, um europeu (ECST) e outro americano (NASCET):
  • Estenose igual ou superior a 70%.
  • Estenose entre 50% e 69%, desde que o risco de AVE peri-operatório seja inferior a 3%.
  • Também constituem indicações aceitáveis neste grup estenose de 50% com oclusão da carótida contralateral, placas ateromatosas com ulceração, e pacientes candidatos à cirurgia de coronárias que também apresentem estenose carotídea.
 
Finalizando, hoje se pode dizer que o tratamento cirúrgico da doença aterosclerótica de carótida é a medida mais eficaz, mais segura e que oferece os menores riscos no manejo desta patologia, constituindo-se numa arma terapêutica importante na prevenção da isquemia cerebral. Também é importante ressaltar a importância de acompanhamento com um especialista da área de todas as pessoas que se encaixam nos fatores de risco comuns para as doenças de origem aterosclerótica (adultos acima de 50 anos, tabagistas (ex ou ativos), hipertensos, diabéticos, dislipidêmicos (altas taxas de colesterol e triglicerideos), cardiopatas em geral e todas as pessoas com algum histórico familiar de doença cardiovascular).
Artigo publicado na:
Revista Feedback