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Tratamento da Neuralgia do Trigêmeo por Acupuntura
A neuralgia do trigêmeo, ou Tic Doulourex, como também é chamada, consiste em um distúrbio da divisão sensitiva do nervo trigêmeo (quinto par dos nervos cranianos). Suas causas não são conhecidas (RAWLAND, 2000).
O nervo trigêmeo é misto, comportando-se como um nervo espinhal. A raiz sensitiva é bem mais volumosa que a motora, os corpos celulares situam-se no gânglio de Gasser (gânglio trigeminal), que está localizado na fossa craniana média, sobre a porção pedrosa do osso temporal. Os prolongamentos centrais penetram no tronco cerebral ao nível da ponte, mais precisamente entre a ponte e o pedúnculo cerebelar médio, os periféricos dividem-se em três grupos distintos, constituindo os nervos oftálmicos, maxilares e mandibulares. Respectivamente abandonam o crânio pela fissura orbital superior, forame redondo e forame oval (DARRETO, 1989).
 
O tratamento clínico deve ser de abordagem primária, com intervenção cirúrgica reservada para pacientes refratários ou intolerantes aos medicamentos correntemente disponíveis. Quase todos os pacientes com neuralgia do trigêmeo típica do trigêmeo respondem a carbamazepina, ao menos inicialmente. Somente 25% dos pacientes obtêm alívio prolongado com o uso de fenitoína, de tal forma que seu principal uso é como um adjuvante à carbamazepina. O baclofen, como a carbamazepina e a fenetoína, facilita a inibição segmentar e deprime a transmissão excitatória do núcleo trigeminal espinal ( ROLAK,1995 ).
Segundo Garcia (1999), trata-se de uma dor paroxística de curto tempo de duração, que se distribui na fase ao longo do trajeto do nervo trigêmeo. Esta dor pode ser dilacerante, como um golpe de corrente queimante ou pulsante como uma agulha, podendo durar desde alguns segundos até vários minutos. Aparecem e desaparecem também deste modo, em um dia pode haver de 10 a 100 crises dolorosas. Durante o momento das crises a região onde se distribui o trigêmeo torna-se hipersensível, basta a ação de se lavar a face, escovar os dentes, falar, comer e, em casos graves, até caminhar, para que se produza a dor.
 
A Acupuntura visa restabelecer a circulação de energia (Qi) nos canais de energia e nos órgãos e vísceras e com isso levar o corpo a uma harmonia de energia e de matéria. Assim, os efeitos combinados da ação de Qi nos Canais de Energia, que se faz de maneira primária, agem sobre o sistema nervoso autônomo e sobre o sistema nervoso central, assim como no Xue (Sangue), difundindo o Qi e os substratos (hormônicos, hormônios cerebrais, etc) provocando as reações (analgesia, hipoalgesia, hiper ou hiper função das estruturas orgânicas) quando se estimulam os pontos de Acupuntura (YAMAMURA, 2001).
 
No presente estudo é o vento o fator patogênico, neste caso externo, que acaba afetando o fígado, levando a um prejuízo do quinto par craniano, ou seja, o nervo trigêmeo. O vento exterior penetra na pele e pode interferir na circulação do Qi defensivo no espaço entre a pele e os músculos e invadir os meridianos da face. Esta invasão de vento leva a uma estagnação de Qi e sangue, resultando em nutrição insuficiente dos músculos. A invasão inicial de vento-frio pode ser facilitada por uma condição preexistente de deficiência de Qi e de sangue. Na avaliação o paciente nos reportou dor na hemiface esquerda e globo ocular, podendo a mesma irradiar para a ponta do nariz e lábios, que piorava com as baixas temperaturas. Os sintomas variavam desde dormência, dor e “choquezinhos” (S.I.C.). Normalmente não conseguia dormir bem devido às crises ocorrerem durante a noite também. Apresentava ainda dor no ombro e braço direito.
 
O tratamento teve início em 03/03/07, com sessões uma vez por semana no primeiro mês. Após duas vezes na semana durante três meses e no último mês manteve-se as sessões uma vez na semana. A postura do paciente na maca era de decúbito dorsal com os membros inferiores elevados com apoio de um rolo. Utilizou-se alguns pontos para o fígado, vento e frio, pois na visão pelas síndromes da MTC, neste caso há uma estagnação do Qi do fígado, o que, quando acontece, leva à estase de sangue. Ainda foram utilizados pontos locais na face objetivando o tratamento específico da neuralgia do trigêmeo e pontos locais e à distancia para ombro e braço direito.
 
Após sete sessões o paciente começou a apresentar melhora significativa, as crises tornaram-se menos intensas, diminuíram as dores no ombro e no braço direito. Sentia-se mais disposto e menos ansioso. O paciente iniciava as sessões sempre com algum tipo de sintomatologia e após saía sem dor alguma, tanto na face e globo ocular como no membro superior direito. Quanto ao pulso, na sétima sessão já apresentava melhora na energia do Fígado, Rim e Coração.
 
Após seis meses de tratamento (33 sessões), verificou-se que podemos obter resultados satisfatórios com o uso da Acupuntura Sistêmica no tratamento da neuralgia do trigêmeo, mesmo após vários anos de tratamento conservador sem resultados positivos. Conseguimos harmonizar os desequilíbrios energéticos, proporcio-nando ao paciente uma melhor qualidade de vida, gerando um quadro clínico mais perto da normalidade. Todavia, ainda persistem as dores, mas ele as suporta melhor já que vêm diminuindo consideravelmente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
DARETTO, Dario. Fisiopatologia Clínica do Sistema Nervos Fundamentos de Semiologia. Rio de Janeir Ateneu, 1989.
GARCIA, Ernesto G. Auriculoterapia – Escola Huang Li Chun. São Paul Roca, 1999.
MACIOCIA, Giovanni. Os Fundamentos da Medicina Chinesa: Um Texto Abrangente para Acupunturistas e Fitoterapeutas. São Paul Roca, 1996.
ROLAK, Loren. A Segredos em Neurologia. Porto Alegre: Áreas Médicas, 1995.
ROSS, Jeremy. Combinações de Pontos de Acupuntura. São Paul Roca, 2003.
ROWLAND, Lewis P. Tratado de Neurologia. Rio de Janeir Guanabara Koogan, 2000.
YAMAMURA, Ysao. Acupuntura Tradicional: A Arte de Inserir. São Paul Roca, 2001.
Artigo publicado na:
Revista Feedback